quinta-feira, dezembro 28, 2006

Reflexos




Negra cidade sob pingos nervosos
Luzes cintilam nas folhas rugosas.
Olho a janela e nela meu reflexo muda de cor e de formas, Como nas buscas irrequietas dos pensamentos perdidos.
Na consciência do corpo, procuro minh´alma.

No não encontrar das formas e sombras,
Me amedontro em perder-me nas ruelas do inconsciente.
Meu corpo se acalma no sono profundo;
Em lugares desconhecidos encontro-me,
Nos sonhos mais reais do que minha própria realidade.

É fuga?...Não.
É o encontrar-se de si mesmo
Em caminhos não percorridos,
Em conversa com sem rostos,
É respostas sem palavras.

Decifro, decodifico em outros reais
Coisas que hão de acontecer.
Assusta-me... Grito...
Mas quem poderá ouvir surdos gritos?

Entender-me com olhos cegos?
Tem velas e luzes,
Mas fora de foco nada enxergo.
Cuidado; há perigos prementes e inevitáveis.

Arrepio e medo assolam a alma,
Transformo-me em lagarta
Com aspirar de borboleta.
Asseguro-me de um só fato:
As figuras e fatos foram registrados,
Cabe a mim traduzí-los,
Cabe a mim dar-lhes voz para serem ouvidos.
C.R

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